Templates da Lua

A viagem para as Américas.

Chamo-me Marieta. Tenho 14 anos.

Tenho cabelos castanhos  olhos azuis.

 

Grupo: Bárbara Merfort, Eloá Cunha, Isabel Barcelos, Inaê Martins, Thais Lunni.

Segundo ano C. Vespertino - Asa Norte.

Portugal, Mulher, de 12 a 15 anos

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30/06/2009

10 de Novembro de 1807

 

Chamo-me Marieta, tenho 14 anos. Nasci ao norte de Lisboa. Provinda de uma nobre família portuguesa. Tenho seis irmãos, três mulheres e três homens, comigo, sete. Das mulheres eu sou a mais velha. Em dias de semana toco piano durante a tarde com meu tutor. Quando livre estou delicio-me com livros e pratico bordado.

Bernardo está a chegar. Hora de ir para aula.

 

12 de Novembro de 1807

 

Acordei antes de o Sol sorrir no horizonte, algo que não é de meu hábito. Com um livro dirigi-me até o jardim e sob uma aconchegante macieira pus-me a ler.

Um mensageiro chegara a cavalo, com uma carta endereçada a meu pai. Pareceu-me algo de urgência. Fui a encontro de minha mãe para pergunta-lhe o que acontecia. Ela contou-me então que estaríamos a partir em alguns dias para uma colônia no além-mar. Não me informou das causas, e usou poucas palavras.

 

29 de Novembro de 1807

 

A tempo não escrevo, atarefei-me em arrumar as malas para meus irmãos.

 

Essa mudança para as Américas trouxe-nos muitas complicações. A meu irmão mais velho restará o dever de permanecer em Lisboa para cuidar das terras de nossa família, mesmo que haja poucas chances de não tomarem-nas.

 

Desconfio que não hajam muitos criados no navio, devido ao grande número de nobres.

 

Certa estou, um de meus irmãos acabara de contar-me que apenas um de nossos muitos criados partirá conosco hoje.

 

São navios ingleses

e poucos são para tanta gente.

Será uma dura viagem.

 

Em algumas horas partiremos.

 

- Adeus minha sempre bela Lisboa. Adeus Portugal, a ti voltarei, pois é contigo que devo ficar.

 

Dia 01 de Dezembro 1807

Estamos a dois dias de Portugal, estou a olhar para fora da nau e apenas vejo água. Mantenho-me enjoada a maior parte do tempo e não há muito o que fazer, pois meus livros e nem minhas agulhas pude trazer comigo. Ocupo-me do tempo a conversar com minhas irmãs e já começo a sentir saudades de meu irmão, sinto que jamais ver-lo-ei  novamente e isto assombra-me.

 

Pouco ouvi falar sobre nosso destino, os senhores no navio estão a falar que a colônia chama-se Brasil e deixam-nos a impressão de que não é um lugar muito agradável.

 

Dia 03 de Fevereiro de 1808

 

Estamos em momentos difíceis

 

Desde cedo ocorreram-me maus pressentimentos sobre esta viajem.

Falta-nos comida, roupas limpas, água.

 

A dois meses não escrevo. Estava a cuidar de minha irmã de quatro anos que passara por momentos terríveis, infelizmente nada do que fiz pode mudar seu destino. Joana falecera.

 

- Já passa das seis horas devo deitar-me.

 


Escrito por Marieta às 23h51
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Dia 10 de Fevereiro de 1808

 

Finalmente aconteceu algo que alegrou-me: um baile.

Nele conheci muitas pessoas que durante esses dois meses ainda não havia visto. Entre tantas chamou-me atenção um jovem da guarda real, Manoel Moura que pediu-me uma dança. Eu acabei por não a conceder-lhe pois meu pai estava presente e não permitir-lo-ia.

 

Contudo não paro de nele pensar.

 

- Já está na hora de colocar minhas irmãs na cama.

Dia 14 de Fevereiro de 1808

 

A pouco estava lendo um livro que por sorte encontrei no dormitório. Quando o vi, Manoel, a observar-me. Não fui capaz de proceder com a leitura, ele aproximou-se e comecei a ficar nervosa. Convidei-o a sentar-se a meu lado, conversamos toda tarde até que minha irmã chamou-me para jantar. Despedimo-nos e ele entregou-me um pedaço de papel sem que minha irmã notasse. No dormitório, sozinha, desdobrei o papel e encontrei a seguinte escrita:

 

"O dia mais importante não é o dia em que conhecemos uma pessoa e sim quando ela passa a existir dentro de nós."

 

Dia 17 de Fevereiro de 1808

 

Já é tarde, passam-se da meia noite, mas preciso escrever sobre o que ocorreu-me.

 

- Perdi o sono com o agito do mar, resolvi então levantar e por-me a tomar uma brisa, a lua brilhava muito ao céu junto às estrelas. Por um instante desviei-me a atenção para o canto do navio, e logo o reconheci, nem pensei, andei em sua direção e sentei-me a seu lado. Conversamos bastante. Manoel contou-me também sobre sua paixão pelo Brasil, sua vegetação, seus animais e seu perfeito clima, disse-me que queria nele permanecer, lá enriqueceria fácil com tantas riquezas naturais. Com as horas a nossa conversa tornou-se mais íntima e acabamos nos aproximando, quando dei-me por conta seus lábios nos meus encostavam. Um beijo doce e quente.

 

Fiquei nervosa e pus-me a sair de lá correndo.

 

Dia 21 de Fevereiro de 1808

 

Hoje passei fome, partes da comida e da água apodreceram.

A viagem tem sido terrível para todos.

 

Dia 25 de Fevereiro de 1808

 

Estou com piolho como todas as outras mulheres do barco. Pegamos como se fosse uma peste. Está insuportável de ver, para todo lugar que olho as pessoas estão a coçar a cabeça. O capitão do navio ordenou-nos que raspássemos a cabeça para acabar com a crise. Não tenho falado com Manoel, apenas estamos a trocar olhares, com tantos problemas a bordo não dou-me o privilégio de distrações.

 

Dia 05 de Março de 1808

 

Já com os cabelos raspados estou a chorar trancada em meu dormitório.

Como pode ela fazer isto comigo?

Maria contara tudo a nosso pai e ele trouxe-me para cá, não tenho permissão para sair. Nem mesmo para comer do pouco de comida que ainda nos resta.

Sei que não devo chorar mas não tenho como conter-me.

 

O que mais me dói?  A saudade de Lisboa e de meus irmãos, a ausência de Manoel ou o calor, a fome e as doenças que tenho presenciado constantemente?

Muitos já morreram, e muitos ainda morrerão nessa viajem que não tem mais fim.

 

Não sei quando verei Manoel novamente e tenho medo que meu pai faça algo de ruim a ele, espero que tudo fique bem.


Escrito por danoninho93 às 21h01
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Dia 07 de Março de 1808

 

Consegui fugir, esperando até que todos adormecessem, sai a procurar meu amado por toda a nau até que o encontrei.

Escondemos-nos debaixo de uma escada onde ninguém poderia ver-nos.

Ficamos juntos até a aurora, quando tive que voltar ao dormitório para que não percebessem minha fuga.

Sua companhia fez-me esquecer da briga com meu pai, de minhas saudades, e dos problemas da viajem.

 

Amo-o mais que tudo.

 

Dia 10 de Março de 1808

 

Até mesmo o vinho esta acabando, espero que cheguemos logo, antes que todos morram de fome ou sede. Minha mãe pegou uma gripe e eu temo por sua vida.

 

Se ao menos eu pudesse tocar meu piano...

 

Dia 13 de Março de 1808

 

Fugi novamente para encontrar meu amado, mas não ficamos embaixo da escada como da outra vez.

Fomos para a dispensa de vinhos onde havia um espaço onde poderíamos ficar a sós. Olhamos um bom tempo um nos olhos do outro quando Manoel fez-me levantar e ajoelhou-se a meus pés e com um gesto bem simples pediu-me a mão em casamento.

Emocionei-me muito com seu pedido e mesmo que meus pais nunca perdoariam-me aceitei seu pedido.

 

Aquela noite Manoel fez de mim uma mulher.

 

Dia 14 de Março de 1808

 

Amanhecemos no depósito, foi o despertar mais feliz de minha vida. Manoel ainda dormia quando escutei passos vindo na nossa direção. Acordei-o mas já era tarde para fugir. Meu pai entrou e surpreendeu-se conosco. Ao mesmo tempo em que tentava pronunciar algumas palavras desembainhava sua faca do bolso e a apontava em direção a Manoel. Eu nada pude fazer, Manoel defendeu-se em vão da faca que ia contra seu corpo e perfurava seu peito. Sofri e agoniei cada segundo junto a Manoel durante sua morte.

 

Dia 18 de Março de 1808

 

Nos últimos dias a comida já havia acabado, e a água apodrecera totalmente. Mas eu nem fome nem sede senti. Sua morte causou-me mais dor do que qualquer outra perda em minha vida.

Avistamos terra ás 3 três horas da tarde, quando chegamos mais próximos a costa pude ver com meus próprios olhos a beleza e a exuberância que Manoel havia me descrito. Senti um alivio no peito e percebi que estando no Brasil permaneceria sempre com Manoel.


Escrito por danoninho93 às 18h58
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